chelsea guimarães

As questões em volta da altura

Primeiro dia da segunda fase em Matosinhos e, curiosamente, as conversas convergem para o tema da altura. Por um lado, um treinador português a sublinhar as qualidades técnicas de jogadoras com tipos físicos semelhantes à média das jogadoras portuguesas. Depois, um observador estrangeiro que, via Twitter, sublinha qualidades de seleções que, em termos estatísticos, apresentem constantemente equipas com médias de altura e peso abaixo da das restantes equipas.

Para quem sobra esta questão? Para os dirigentes e treinadores do basquetebol português que perdem aquela que tem sido uma boa desculpa ao longo de anos e anos. A de que Portugal não “fabrica” jogadores altos e a de que os portugueses não têm o ADN para jogar basquetebol. Tentando desconstruir o mito.

O jogo de basquetebol desenrola-se, sobretudo, ao nível do chão. O olhar dos jogadores deve estar levantado porque é desta forma que se lê a movimentação do adversário e as oportunidades e obstáculos que se lhe deparam (tática). Também tendemos a olhar para cima porque o cesto está lá alto, mas quem tem de entrar lá dentro é a bola, pelo qual o nosso trabalho continua a desenvolver-se ao nível do chão (técnica). Não temos altura para conquistar ressaltos? Na verdade, a maioria dos ressaltos não se ganham por estatura, mas sim por posicionamento (aliança técnica-tática).

Em que ficamos, então? As grandes forças do jogo de basquetebol estão ao nível do chão e é aí que se começa a ganhar jogos. Assim o demonstram as várias jogadoras de muita qualidade e inteligência que fazem as suas seleções ganhar jogos em Matosinhos. Sendo que a altura é algo que não se pode ensinar (daí que devemos continuar a procurá-la, planeando treino e momentos de jogos onde os nossos jogadores mais altos sejam “premiados” com o reconhecimento do seu valor), talvez sejam importante que a nossa “fábrica” se preocupe em arranjar formas de trabalho que permitam uma melhor produção.

Daí que ao nível dos clubes e das associações se deva alimentar programas de desenvolvimento técnico e tático, promovendo mais horas de prática informal da modalidade (é aí, julgo eu, que está a principal fonte do nosso atraso competitivo em relação à maioria dos países europeus). A nível das seleções, o trabalho do presente (seleção do talento que alcance resultados) deve ser aliado do trabalho do futuro (identificação do talento e esquemas do seu desenvolvimento em termos de aproveitamento nas equipas seniores). Não é fácil, nunca é, mas o primeiro passo deve ser dado quanto antes. Porque se conseguimos ter equipas como a que representa Portugal sem que esse trabalho seja feito de forma organizada e planeada pelos diversos agentes envolvidos na formação de jogadoras, imaginem onde poderíamos chegar se o fizéssemos.

Luís Cristóvão

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