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Alimentar o entusiasmo

Já se havia visto o ano passado e volta a ser possível de se ver este ano: em Matosinhos, vive-se o jogo do basquetebol com entusiasmo. Para quem, como eu, só vem até cá com a organização destes Europeus, dá para tirar o chapéu às equipas que tornam possível tudo o que acontece na competição. E, enquanto isso, perceber como se podem fazer frutificar as sementes que são lançadas com o investimento na organização deste tipo de provas.

Para começar, existem centenas de jovens praticantes que têm a oportunidade, durante a sua formação, de ver jogar e conviver com algumas das melhores jogadoras do seu tempo. O ano passado em Sub-16, mesmo tratando-se de Divisão B, jogaram em Matosinhos algumas jogadoras que se esperam vir a ter carreira a nível universitário e profissional, enquanto este ano, com a Divisão A de Sub-18, falamos já de certezas, ou não estivessem por cá jogadoras que iniciarão a sua caminhada na NCAA em Setembro ou outras atletas que já esta temporada atuaram na Euroleague. Isso oferece, desde logo, uma diferença em relação a várias outras gerações, a de poderem saber como jogam os melhores e, de certa forma, medir-se com eles.

Por outro lado, outros tantos candidatos a jogadores passarão pelo Centro de Congressos de Matosinhos nos jogos da Seleção Nacional e acreditarão que, um dia, também eles poderão jogar perante tanta gente. É disso que se trata quando se fala em entusiasmo: a capacidade de acreditar. Infelizmente, muitos daqueles que trabalham no nosso basquetebol têm muitas mais dificuldades em alimentar o seu entusiasmo por aquilo que fazem. Seja devido aos problemas de pagamento que muitos enfrentam (recebe-se pouco ou não se recebe), às dificuldades para conjugar horários de treino e disponibilidades de pavilhão, à pressão exercida por pais e escolas no número de atividades que oferecem ou obrigam os candidatos a praticantes a frequentar. Tudo isso são nuvens negras que aqueles que vivem mais de perto o fenómeno do basquetebol têm que enfrentar.

No entanto, combater as nuvens negras faz parte do trabalho de quem é um líder, um treinador, um influenciador. Os prémios não chegam em forma de troféus ou vitórias em campeonatos. Os prémios vêm da possibilidade de poder ver alguns jovens com os olhos a brilhar por praticam a modalidade que mais amam. As vitórias vêm do rapaz ou rapariga que chegou tímido e acanhado ao campo de basquetebol e que, passados alguns anos, é quase um adulto, com capacidade de pensar pela própria cabeça e de decidir aquilo que deseja fazer na sua vida.

Quem não pensa e não entende aquilo que deseja para o jogo, não consegue superar os problemas que lhes surgem aliados. Tropeçar na pedra que está no meio do caminho é natural, saudável até, porque nos alerta para outras pedras que nos surgirão pela frente. Desistir perante o tropeço é um caminho fácil. Resistir na luta é, sem dúvida, a melhor resposta. Alimente-se então o entusiasmo que é possível ver por aqui. Transporte-se a possibilidade de se ser melhor, de ter maiores objetivos, de alcançar metas que à partida nos são tão distantes. As dezenas e dezenas de treinadores e dirigentes que estão em Matosinhos têm a missão de aproveitar esta oportunidade para servir uma enorme dose de entusiasmo na temporada que, daqui a nada, irá começar.

Luís Cristóvão

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