O último dia

pais filhos

Último treino da época. As sensações misturam-se porque, ao mesmo tempo que fechamos um ciclo já outro se abriu. O tempo, realmente, nunca pára.

Esta temporada foi, acima de tudo, um resolver de dúvidas. Desde o encontrar da forma de estar dentro do treino e do jogo, até ao saber como nos relacionar construtivamente com um grupo de pequenos atletas. Compreender, de certa forma, aquilo que é realmente importante para eles, em primeiro lugar, e para o seu futuro no desporto, em segundo. Estabelecer prioridades, elaborar estratégias, construir gente que vai crescendo.

Durante a época, assumi que o melhor que podemos fazer é aprender a ver. Olhando para aqueles que estão dentro do processo de treino há mais anos, olhando para quem se senta no banco do adversário, olhando para os miúdos que vão correndo, nos treinos e nos jogos, em busca da felicidade. Sempre aprendi imenso a olhar e a ver e assim vai continuar a ser.

Outra coisa assumida é que não podemos ser aquilo que não somos realmente. De nada vale criarmos personagens para estar dentro de um processo tão emocional e pessoal como é o treino. Temos que levar lá para dentro aquilo que somos. Aprender a jogar com isso. Daí que quando enfrentamos processos de formação onde nos tentam dizer como nos comportar neste ou naquele quadro, julgo sempre que as fórmulas não são solução. Tens que lá ir com o que tens. E fazer o melhor que possas com isso.

Finalmente, confirmar que os processos de estágio são uma falsidade com que nos tentam impregnar a existência. Que uma pessoa formada precisa de um estágio. Não precisa. Precisa de estar no campo. Precisa de compreender. Precisa de ler muito mais sobre tudo aquilo que lhe aparece como dúvida. Precisa de se questionar. Precisa de ter dúvidas. Precisa de acreditar. Por isso é que os estágios servem de muito para quem faz tudo isso. E não servem para nada para quem acha que sabe tudo.

Último treino da época. Enquanto se dá atenção àqueles que, por uma derradeira vez, são os “nossos” jogadores, a cabeça já está no futuro. Será por lá que nos encontraremos.

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